Eu passo tanto tempo só que
quando há muita gente a minha volta eu paro e esculto meus pensamentos como se
estivesse só, é involuntário e preciso, porque no meio de tantos detalhes é
preciso parar e recompor os pensamentos, como aquele homem sentado no metro eu
seria, sem controle algum ele pensava tão alto que seus olhos expulsavam as
palavras, o olhar dele se fascinava a cada canto novo que ele observava, e
aqueles outros olhares o julgavam porque na mente não lhe cabiam mais os
pensamentos e ele pensava alto fascinado com algo que eu não pude escutar, e eu
ali sentada observava as vezes intensamente quase sem querer o brilho dos olhos
dele, queria eu compartilhar a alegria dos loucos que expulsam palavras sem
medo, partilham de pensamentos que fascina qualquer tristeza, eu não consigo
mais, não posso mais, sei La, é inevitável não observar os movimentos, os
olhares, os incômodos e todos os desencontros, meus pensamentos são tão
intensos que meu rosto se fecha, é sem querer, não é exclusão, é necessidade de
organizar os pensamentos, necessidade de mantê-los guardados, sem deixar que
nenhuma palavras seja concebida, é a minha maior indigência, meu maior defeito,
pensar demais. E aqueles pequenos detalhes inúteis fazem de tudo uma bagunça, é
como uma bagunça externa, são as pequenas coisas que vão bagunçando um quarto,
assim são os pensamentos, são os detalhes ínfimos que se agrupam e bagunçam
tudo.
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