domingo, 27 de maio de 2012

Odeio borboletas


I ai, alguém sabe observar melhor que eu?! Amo observar aquelas coisas bem inúteis que ninguém nem gosta de observar, aquelas que apenas eu vejo graça, que só eu levanto sorrisos escandalosos, dessas coisas tão bestas, essas mesmo, ou aquelas mesmo, palavras bestas que as vezes nem percebemos que são ditas e eu as observo e as levo para todo aquele contexto fantasmagórico, ou lindo como aquelas flores que eu observei no jardim, aquelas bem feiosas que ninguém gosta, isso mesmo, dou significado as coisas, as palavras que ninguém gosta, gosto de levar tudo para o meu mundo, e as vezes aqueles olhares que eu observo me dão calafrios, aqueles calafrios bem involuntários sei que calafrios são involuntários, mas sei La, os de olhares são piores, são mais inesperados mais penetráveis, e eu só queria paralisar o tempo e sair observando tudo aquilo que faziam, e deduzir o resto, parece tão mais divertido, tão mais inesperado, assim como os calafrios, e acredite, são bons. Um dia eu só queria me ver dai, esse “daí”que me observa e saber como é, como eu sou, me ver sem meu próprio olhar, ver com seu olhar, sabe o que é. É que. Sei La. Só queria saber deve ser um novo calafrio, um novo “observar”. Eu queria ter aquele olhar puro, aquele que ninguém tem, queria ter pensamentos puros, aqueles que ninguém tem também, queria ser livre em tudo, poder amar, chegar tarde, beijar sem amar, tocar sem amar, amar por apenas uma noite, amar vários caras em uma noite, dançar até cair no chão, ficar horas e horas observando um garotinho se lambuzar na delicia da inocência, ter e não querer, na verdade o que eu queria agora é observar as pessoas na escuridão das estrelas, e voltar apenas na arrogância do dia, observar aquelas ruas abandonadas tomadas pela neblina, sentar-se ao lado de um cachorro vira latas e conversar com ele, seria um novo calafrio, que por sinal seria o melhor de todos, eu sei La, só queria ler uma mente vazia, aquelas bem cheias de nada, se é que você me entende, aquela em que as pessoas julgam não ter nada, deve existir um mundo novo lá, onde ninguém nunca tentou invadir com um olhar, essas eu tenho muita vontade de observar, mas eu sei que ninguém observa igual a mim porque afinal nem sei observar, acho que só admirar toda essa magnitude inconstante que eu faço constante, que eu generalizo, esse vazio que eu preencho com observações, esse que só eu sei qual é., sei La, só odeio borboletas!

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