I ai, alguém sabe observar melhor que eu?! Amo observar
aquelas coisas bem inúteis que ninguém nem gosta de observar, aquelas que
apenas eu vejo graça, que só eu levanto sorrisos escandalosos, dessas coisas
tão bestas, essas mesmo, ou aquelas mesmo, palavras bestas que as vezes nem
percebemos que são ditas e eu as observo e as levo para todo aquele contexto
fantasmagórico, ou lindo como aquelas flores que eu observei no jardim, aquelas
bem feiosas que ninguém gosta, isso mesmo, dou significado as coisas, as
palavras que ninguém gosta, gosto de levar tudo para o meu mundo, e as vezes
aqueles olhares que eu observo me dão calafrios, aqueles calafrios bem
involuntários sei que calafrios são involuntários, mas sei La, os de olhares
são piores, são mais inesperados mais penetráveis, e eu só queria paralisar o
tempo e sair observando tudo aquilo que faziam, e deduzir o resto, parece tão
mais divertido, tão mais inesperado, assim como os calafrios, e acredite, são
bons. Um dia eu só queria me ver dai, esse “daí”que me observa e saber como é,
como eu sou, me ver sem meu próprio olhar, ver com seu olhar, sabe o que é. É
que. Sei La. Só queria saber deve ser um novo calafrio, um novo “observar”. Eu
queria ter aquele olhar puro, aquele que ninguém tem, queria ter pensamentos
puros, aqueles que ninguém tem também, queria ser livre em tudo, poder amar,
chegar tarde, beijar sem amar, tocar sem amar, amar por apenas uma noite, amar
vários caras em uma noite, dançar até cair no chão, ficar horas e horas
observando um garotinho se lambuzar na delicia da inocência, ter e não querer, na
verdade o que eu queria agora é observar as pessoas na escuridão das estrelas,
e voltar apenas na arrogância do dia, observar aquelas ruas abandonadas tomadas
pela neblina, sentar-se ao lado de um cachorro vira latas e conversar com ele,
seria um novo calafrio, que por sinal seria o melhor de todos, eu sei La, só
queria ler uma mente vazia, aquelas bem cheias de nada, se é que você me
entende, aquela em que as pessoas julgam não ter nada, deve existir um mundo
novo lá, onde ninguém nunca tentou invadir com um olhar, essas eu tenho muita
vontade de observar, mas eu sei que ninguém observa igual a mim porque afinal
nem sei observar, acho que só admirar toda essa magnitude inconstante que eu
faço constante, que eu generalizo, esse vazio que eu preencho com observações,
esse que só eu sei qual é., sei La, só odeio borboletas!
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