Uma garota no ônibus observava
sem querer todos ali, sentada no final do ônibus ela tinha uma visão completa
de tudo, o cobrador parecia perdido em seus pensamentos observando uma linda
menina que estava sentada perto a roleta, mais a garota nem dava bola ela
seguia envolvida em seu próprio mundo vulgar e de supérfluos com o olhar apenas
para frente, alguns bancos atrás havia um casal com um homem bem vestido de
palito e gravata com uma moça de cabelos presos, eles pareciam se querer, a
moça parecia gostar dele pois enquanto ele falava ele olhava profundamente em
seus olhos, e a garota do fundo de fones de ouvido não os ouvia pois a musica alta
em seus ouvidos atrapalhava, mais ela sabia que suas bocas saiam palavras pois
os lábios se movimentava, e assim ela prosseguiu a observar, a mulher de cabelo
preso prosseguia a olhar com ternura os olhos daquele elegante homem, ele com
os braços envolvidos em seu pescoço parecia querer apenas uma noite com ela,
pois ela apenas olhava sua boca, observava apenas seus lábios em movimento,
então, de repente, eles se levantam e a garota de fones de ouvido se assusta
pois ela tinha o olhar fixo, e a pupila dilatada, com os pensamentos a viajar, e quando o casal
se levantou ela levou um enorme susto, e quando eles se aproximaram da garota
ela pode perceber que aquela moça de cabelo preso aparentava ser mais velha,
sem saber como reagir a garota desviou seu olhar para fora e com a blusa de
frio ela limpou a janela embaçada de chuva, estava escuro e frio, e a cidade
parecia tão vazia não havia vida, não havia amor apenas prazer, prostitutas que
buscavam de carro em carro, de rosto em rosto o seu alimento, mais nunca se
sabe porque uma profissão dessas, elas buscam amor ou prazer, dinheiro ou
carência, nunca se sabe, mais a garota não tinha o que fazer, vendo isso ela
devia seu olhar outra vez para o ônibus, abaixando o olhar de decepção. Um
rapaz sentado em sua frente de camiseta listrada parecia muito preocupado,
passava as mãos no cabelo todo instante, olhava através da janela, olhava para
o chão molhado e sujo, outro rapaz a sua esquerda quase caia de sono, então a
moça que estava sentada perto da roleta se levantou e se dirigiu para o fundo
do ônibus e deu sinal para descer, o cobrador não tirava o olhar da aquela
moça, o olhar dele era tão estranho, tão perverso, que se deduzia coisas
horríveis que se passavam em sua mente.
Pessoas tristes, individualistas,
que buscam felicidade onde não há que buscam prazer em poucos segundos, e
depois olharam em volta e viram apenas a solidão e estavam chorando sem ao
menos saber pelo que, mais as pessoas são ignorantes, e continuam a desejar
aquilo que não os pertence, e sem se dar conta já era hora da garota do fundo
descer, aquela garota observava tento, seu silencio dizia por si mesma, ela
tinha a audição aguçada que parecia ler os pensamentos, e ao se levantar em
seus pensamentos altos, assustou o rapaz que adormecia, e ele rapidamente se
levantou e também puxou a corda do ônibus, a garota de fones se assustou ao ver
que o rapaz sonolento a encrava e ela parecia se perguntar o porque daquele
fixo olhar, será que ele podia ler seus pensamentos, ou ela sussurrava algum deles?
A garota desceu rapidamente, colocou o capuz para se proteger daquela chuva, se
benzeu, pois já era tarde e apenas os vândalos e o frio vagavam pelas ruas
escuras, sujas e vazias, com aqueles olhares críticos eles pareciam se
perguntar, o que uma mocinha de calças rasgadas faz uma hora dessas nessas ruas
tão perigosas, sujas e sem amor? Sem saber como responder a aqueles olhares
vazios ela abaixava a cabeça para que a chuva não tirasse de seu rosto o rimeu
que realçava seu olhar, e o vento a maltratava soprando aquele frio terrível,
com as mãos no bolso ela desceu a rua molhada e escura sem saber o que pensar
ela escultava aquela musica que penetrava o mais fundo de seus pensamentos,
então finalmente ela chega em casa sem usar palavras ou sussurros ela entra e
vai direto para seu quarto, tira aquela roupa molhada e sem nenhuma peça de
roupa ela se olhava no espelho e se pergunta, o que será de mim amanha? E é ai
que ela se lembra que o manha não pertence a ela, mais ela se preocupa no que
se transformou, e a pequena grande garota do fundo do ônibus apenas não sabe a
resposta de mais nada, e ela nem tenta mais achar nenhuma resposta, ela veste a
roupa de dormir e se deita com a mente vazia.
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